quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

não deixem o carnaval morrer...

Há alguns dias, policiais militares baianos resolveram fazer greve. O desespero foi instaurado. Como poderia fazer a maior festa popular do mundo sem a segurança dos policiais? Faltando menos de 15 dias para a festa oficial começar, os policias voltaram às atividades. O carnaval soteropolitano iria acontecer.

Depois, os policiais militares e civis e os bombeiros do Rio de Janeiro resolveram entrar em greve. Novamente o temor sobre o carnaval. Os policiais viriam para a guerra com faixas de "O carnaval acabou". Depois de alguns dias, resolveram voltar às atividades e negociar uma possível greve após o carnaval.

Achei essa atitude dos policiais do RJ louvável. Não adiantaria de nada fazer greve e acabar com a festa que tanto representa o Rio de Janeiro. O sentimento do carnaval é muito mais que só a festa. Isso sem contar o quanto de dinheiro que o Rio de Janeiro ganha com o carnaval.

Agora é Campinas que está na mesma situação. Só que pior.

Faltando três dias para o carnaval começar, o secretário de Cultura vem e diz que não vai ter carnaval. Isso mesmo. Não vai ter carnaval em Campinas. Segundo a prefeitura, não teve tempo para planejar.

Como assim não teve tempo para planejar, cara pálida???? Ninguém está pedindo pra fazer o maior carnaval do mundo. Pede somente para fazer carnaval.

Demoraram mais de um mês para nomear um secretário para a Cultura e agora vem dizer que não tem tempo? Um nome que veio pra ter os votos do DEM na Câmara Municipal, diga-se de passagem.

Quem vai pagar o prejuízo das escolas de samba? Não só o prejuízo material, mas também o prejuízo de pessoas que esperam o ano todo para ter quatro dias de festa e alegria.

O carnaval não está sendo tratado como deveria. Somos sim, com muito orgulho, o país do carnaval.

Carnaval que é muito mais que uma festa. É cultura. É economia.

Não importa se é com desfile de escola de samba, na micareta ou no frevo. O carnaval é da cultura brasileira e não pode, em momento algum, ser esquecido.

Se continuarem a tratar o carnaval só como uma festa, a nossa cultura vai acabar e vamos, mais uma vez, viver de enlatados dos states.

Acabar com o carnaval é acabar com o pouco de cultura que ainda tenta sobreviver nesse país. Cultura nossa. Quando a bateria da escola de samba começa a tocar é a cultura brasileira mostrando que não vai se calar.


quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

... é isso

   De uns tempos pra cá venho falando muito pelas redes sociais sobre amigos e irmãos que fiz nesse tempo. Sei lá.. ultimamente estou meio sentimental, talvez a época do final do ano que me fez ficar assim, mas enfim... Realmente desde quando mudei pra Campinas em 2009 eu fiz muitos amigos e irmãos que espero levar para toda minha vida e que tenho certeza que posso contar com eles e eles podem ter a certeza que podem contar comigo. Nesse fala de cá e fala de lá dos novos amigos parece que esquecemos dos velhos, mas eu não.
   Fiz amigos em Guaxupé. Lógico é toda uma vida lá, mas aqui quero falar sobre quem eu tenho certeza absoluta que estarão comigo pro resto da vida. Pode se passar mil anos, podemos nunca mais nos vermos nem conversarmos, porém, esses eu nunca vou esquecer. Se conheci eles há 14 ou 10 anos isso não importa. O que importa é o que eles fizeram por mim e sou muito grato por tudo isso.
   Eles lendo isso já sabem de quem estou falando e não preciso citar os nomes deles, mas segue um pouco do que tenho para falar há anos.
   Eu nunca tinha parado pra pensar no que significava a palavra amigo até quando precisar saber. E quando eu precisei eles estavam ali para me ajudar. Seja dando uma força na escola porque eu tive que ficar seis meses sem ir. Seja indo na minha casa nesse período quando eu mais precisava. Eu nunca vou esquecer disso. Podem me xingar daquilo que for, mas eu nunca vou esquecer. Podia ser qualquer dia da semana eles estavam lá quando eu precisei. Quando três anos depois eu precisei de novo lá estavam eles. Foi por eles também que muitas vezes eu não cai. Foram muitas risadas que dei com eles que não me deixaram cair.
   Se eu pensava que estava bom só com dois amigos que hoje são irmãos e muito mais que isso, veio mais gente. Ganhei três verdadeiras irmãs e que eu considero como isso mesmo. Se para certas pessoas alguns atos parecem pequenos, quando a gente precisa esse ato fica enorme. Só vou citar um caso para exemplificar isso. Em julho de 2003 nem conhecia a Greice direito e em um dia, antes de um show da Expoagro, ela esteve na minha casa junto com o Diego pra ir conversar. Eu precisava disso. Parece que foi uma coisa pequena, mas antes de um show da Expoagro você sair da sua casa no frio pra ir visitar um amigo?! Isso eu nunca, NUNCA, vou esquecer e tantos outros casos que, vocês podem até não saber, mas foram muito importantes pra mim. Sabe aquela frase: "Mãe de amigo a gente não chama pelo nome, a gente chama de tia" ? Eu nunca chamei a mãe de nenhuma amigo de tia, mas eu considero tanto as mães, quanto os pais e as irmãs mais do que considero pessoas que minha vida inteira chamei de tio e que hoje prefere atravessar a rua do que me cumprimentar.
   Eu sei que o texto não ficou bom, eu sei que ficou gay. Eu não sei porque eu estou escrevendo isso agora. Eu sei que eu deveria falar isso e não escrever, mas eu não consigo falar. Eu só consigo escrever e quando vem algo na minha cabeça e esse blog é o único lugar que consigo escrever...escrever...escrever... e parecer que estou falando sozinho.
   Muito obrigado!
   

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

e lá vamos nós outra vez...

Campinas, 20 de maio de 2011.

O trânsito parado na Benjamin Constant e acabo chegando atrasado na rádio. Quando entro no Edifício Prudência logo fico sabendo que a primeira dama, os dois principais secretários de Dr. Hélio e o vice Demétrio Vilagra estavam sendo procurados pela polícia. Ali começava uma história que, com certeza, vou levar para sempre na vida futura vida jornalística.

A nossa programação parou. Aquela sexta-feira foi destinada a ouvir políticos envolvidos ou não no caso e aquela correria que se tornaria habitual. Na segunda-feira uma programação especial. Dois programas dedicados à aquele caso que tinha deixado a cidade perplexa. Fomos às ruas com os repórteres Pedro Santos e Paulo do Valle

No mesmo dia a criação da Comissão Processante e quinze dias após a primeira prisão, novamente sirenes em Campinas e Carlos Henrique Pinto havia sido preso.

Durante todo o trabalho da Comissão Processante acabei me tornando produtor do programa Jornal de Opinião sob comando de Walter Paradella e J. Tannus. Antes eu somente fazia produção para os programas esportivos. Ouvimos todos os lados possíveis. Vereadores da base ou não, Ministério Público e advogados de defesa.

Nas oitivas da Comissão Processante mais uma vez derrubamos a programação normal e fomos a rádio de Campinas que fez a maior cobertura daqueles depoimentos. Ouvimos todos. Prefeito, testemunhas de defesa e de acusação.

Com o fim da Comissão Processante, voltamos à Câmara Municipal para transmitir um momento histórico para a cidade de Campinas. O relatório do vereador Zé do Gelo pedia a cassação de Dr. Helio e não sabíamos se Hélio seria ou não cassado.
A transmissão começou às 8h30 do dia 18 de agosto. A sessão teria início às 9h. No jornal da EPTV da noite anterior uma denúncia de que o vereador Aurélio Cláudio estaria negociando venda de votos pela não cassação de Hélio movimentou o início da sessão. Naquele dia, Aurélio não apareceu na Câmara.

A sessão rolava e a leitura daquele cansativo relatório se desenrolava. Os advogados de defesa de Dr. Hélio convocam uma coletiva e lá fui eu para a minha primeira entrada ao vivo no jornalismo da rádio via celular e justo na coletiva dos advogados de Hélio. Como um verdadeiro papagaio de pirata, aprendi um pouco de jornalismo ali ao lado de grandes jornalistas campineiros como a Milene Moreto da RAC que teve seu cabelo como alvo de um dos advogados.

E a leitura continuava...


No segundo dia de leitura, mais uma vez abrimos as transmissões às 8h30. Com a leitura já em andamento foi a vez de Aurélio Cláudio falar. Uma pequena espera de quase uma hora (na hora do almoço por sinal) para ouvir o vereador e finalmente conseguimos ouvir aquele que era o pivô do mais novo escândalo para a cassação de Hélio. Após essa coletiva, ouvi um 'elogio' que me deu mais entusiasmo para continuar aquela sessão que seria longa. Eu nunca vou esquecer que o Flávio Paradella, da CBN, se levantou da cadeira onde transmitia, me deu um abraço e me disse: "PARABÉNS!". Obrigado Flávio.
Como o Duda Rangel sempre fala, pra agradar um jornalista basta dar comida e a assessoria da Câmara (com Toti e Mirna) fizeram muito bem esse serviço.

E a leitura continuava...

A noite chegava e a bola ia rolar pelo Campeonato Brasileiro. Transmitimos o jogo e eu no plantão. No fim de jogo ficou decidido que a sessão viraria a noite e que a votação ficaria para a madrugada. Após o jogo voltei para a Câmara e lá ouvi os parabéns de outro monstro: Renato Otranto, da Jovem Pan. Com e sem luz ficamos no ar e às 5h20 de um sábado 20 de agosto de 2011 a Câmara Municipal de Campinas cassava pela primeira vez um prefeito.

No final da transmissão um sentimento de dever cumprido e um ultimato de Walter Paradella: "Você vai sair do esporte e vai para o jornalismo."
Passei para o jornalismo e além da produção do Jornal de Opinião fazia as reportagens.

Posse de Demétrio, afastamento de Demétrio, posse de Pedro Serafim, volta de Demétrio e assim foi seguindo por mais alguns meses. No vai e volta da Comissão Processante, ela entra em vigor no dia 17 de outubro e vamos novamente às oitivas.

Mais uma vez interrompemos nossa programação normal para levarmos a população tudo o que acontecia na Câmara. Ouvimos prefeito, Aquino e as testemunhas de defesa. Mais uma vez a maior cobertura dos rádios de Campinas da Comissão Processante.

Terminado relatório, ouvimos todos os lados. Rafa Zimbaldi, Dr. Hélio Silveira, prefeito Demétrio, secretário Renato Simões. Todos.

Agora o relatório será votado amanhã em mais um dia 20 do ano de 2011 e mais uma vez estaremos lá, mostrando ao povo campineiro como será mais essa sessão histórica que culminará, ou não, com a cassação do prefeito Demétrio Vilagra.

Que venha a sessão e que também venha 2012 que será mais calmo.

Ou não.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Tchau!

Confesso que é com certa tristeza que escrevo aqui esse post.

Como já falei outras vezes, participo de campanhas e reuniões do PT desde meus 8 anos e cresci dentro desse partido.

Em 2002 participei e comemorei a vitória de Lula. Durante os 8 anos de governo Lula eu o defendi (e ainda defendo) como o melhor presidente que o Brasil já teve.

Em 2010 votei na Dilma por indicação do presidente Lula. Não a conhecia, mas confiei no trabalho que ela tinha feito desde 2005 na Casa Civil.


Não votei em uma senhora que se curva para a bancada evangélica.

Não votei em uma senhora que vai privatizar três aeroportos, entre eles o de Viracopos.

Não votei em uma senhora que se curva para a bancada ruralista.

Não votei em uma senhora que vai se pautar pela imprensa.

Já estava pensando em sair do PT há algum tempo. Não só por Dilma, mas pelo PT, por Guaxupé e por Campinas também.

Com muito orgulho posso dizer que fui governo por oito anos, mas agora é hora de ser oposição. Não foi para ter esse governo que votei na Dilma.

Dilma, fique agora com Sarney, Garotinho, Kátia Abreu, Kassab, e afins. Eu prefiro ficar com a minha consciência.

Desculpa aos que votaram na Dilma porque eu pedi.

Desculpa pelo meu voto!


Tchau!



quinta-feira, 21 de julho de 2011

15 mandamentos do jornalismo


Retirado do facebook da Carla Vido


Contam os alfarrábios que quando Deus liberou para os homens o conhecimento sobre a informação, determinou que aquele “privilégio” iria ficar restrito a um grupo muito pequeno de pessoas. Mas neste pequeno grupo, onde todos se acham “semideuses”, já havia aquele que iria trair as determinações divinas. Aí aconteceu o pior!

Deus, bravo com a traição, resolveu fazer valer alguns dos mandamentos do jornalista:


1º) Não terás vida pessoal, familiar ou sentimental.

2º) Não terás feriado, fins de semana ou qualquer outro tipo de folga.

3º) Estarás condenado ao eterno cansaço físico e mental.

4º) Terás gastrite, se tiveres sorte. Se fores como a maioria, terás úlcera, pressão alta, princípios de enfarte, estresse e depressão. E, perto de se aposentar, terás câncer.

5º) A pressa será tua sombra e tuas refeições principais serão o lanche da padaria da esquina, a pizza do pescoção ou uma coxinha comprada no buteco mais próximo do local onde realizarás as reportagens.

6º) Teus cabelos ficarão brancos antes do tempo; se te sobrarem cabelos.

7º) Tua sanidade mental será posta em xeque antes de completares cinco anos de trabalho.

8º) Ganharás muito pouco, não terás promoção, não terás perspectiva de melhoria e não receberás elogios de seus superiores e leitores. Porém, as cobranças serão duras, cruéis e implacáveis.

9º) Trabalho será teu assunto preferido; talvez o único.

10º) A máquina de café será tua melhor colega de trabalho; a cafeína, porém, não fará mais efeito.

11º) Os butecos que ficam abertos de madrugada serão tua única diversão e somente neles poderás encontrar malucos iguais a ti.

12º) Terás pesadelos freqüentes com horários de fechamento, palavras escritas erradas, reclamações de leitores, matérias intermináveis, processos, gritos ao telefone… E, não raro, isso acontecerá durante o período de férias.

13º) Tuas olheiras e mau humor serão teus troféus de guerra.

14º) Por mais que sejas um profissional ético, serás visto na rua como um canalha.

15º) E, apesar de tudo isso, haverá uma legião de “focas” querendo ocupar o seu lugar

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Minha fé


Esses dias fiz uma brincadeira com o nome do atacante da Ponte Preta Ricardo de Jesus. Fiz um trocadilho sem maldade com o seu sobrenome. Na hora me disseram que eu estava fazendo muita brincadeira com o nome de Jesus e fui questionado se acreditava em Deus. Minha resposta foi rápida: Sim. Sim, eu acredito em Deus e acredito que seria incoerente com o meu passado, com tudo que já vivi (e olha que com apenas 21 anos eu já vivi muita coisa, hein) não acreditar em Deus. Na minha fé, eu já tive alguns fatos que acredito como provas para mim mesmo de que Deus existe. Fatos esses que nenhum ateu, nenhuma ciência vai me dizer o contrário. É a minha fé e nela eu acredito e não preciso que ninguém mais acredite nela.




Tenho formação cristã, fui criado na igreja católica, fiz catecismo, crisma, tudo o que manda no ritual. No mesmo tempo freqüentei centros espíritas. Centros de umbanda e kardecistas. Não li toda a bíblia, mas li alguns pontos dela e religião sempre foi algo que me interessou. Sempre li artigos e textos sobre religiões. Teve uma época que eu sabia o que significava cada coisa na Catedral de Guaxupé. O fato de ter minha fé, o fato de crer no meu Deus não me coloca como um ser que não pensa. Não me posiciona como uma pessoa que não sabe diferenciar a razão do passional. Apesar de crer na bíblia não consigo acreditar que o homem foi criado do barro, por exemplo.


O que aprendi lendo, indo aos templos cristãos foi a visão de um Jesus Cristo que veio à Terra para mudar. Um Cristo que veio para pregar a tolerância (peço aos estudiosos que me falem se aprendi errado). Ao criticar certas atitudes de cristãos critico aquelas atitudes que o próprio Cristo condenou. Muito se falam que a bíblia proíbe isso, que proíbe aquilo, mas pouco se fala de uma das mais belas frases de Cristo: “A César o que é de César. A Deus o que é de Deus”. Aprendi essa frase com o Padre Olavo. Ele não deixava ter quermesse na porta de sua igreja porque Cristo tinha expulsado os mercadores do templo. Agora me diga, quem está certo? O padre Olavo ou aqueles que cobram o dízimo como sendo a única forma de salvação? Por isso vou criticar sim padres, pastores, pais de santo e quem mais estiver indo contra aquilo que aprendi que Cristo pregou. Usar os trechos da bíblia que lhe interessa é muito fácil. O capítulo 5 do livro de Matheus é muito bonito e se fosse levado a sério com certeza as igrejas seriam melhores.


Não posso concordar que pastores, padres e afins pregem o ódio e até a morte de seres humanos. E não venham me dizer que eles fazem isso porque está na bíblia porque é mentira. Conheço crentes e católicos que são tolerantes. Pessoas que respeitam o próximo. Pessoas que realmente seguem aquilo que Cristo pregou.


Uma vez li que a igreja católica segue muito mais o que Paulo disse do que o que Pedro, criador da igreja disse. Se a igreja católica fosse mais pedrina e menos paulina a história seria diferente. Seguir um soldado romano não é uma boa idéia quando estamos falando de religião.



Bom, comecei falando sobre a brincadeira com o sobrenome de Jesus. Como já disse, creio em Deus e sou cristão. Agora, não vai ser uma brincadeira que vai tirar minha fé e desrespeitar meu pai. Desrespeito com Deus, pra mim, é dizer “bem feito” quando chega a notícia que um travesti e que era garota de programa morreu sendo que foi o próprio Cristo que impediu o apedrejamento de uma prostitua. Brincar com o nome de Ricardo de Jesus não é desrespeito pode ser outra coisa, menos isso.


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Se falei alguma besteira quanto aos dados, nomes, etc, por favor me corrigam.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

CANSEI

A última vez que vi esse verbo no que se refere à política foi durante aquela manifestação em 2007 liderada pela OAB, D’Urso e João Dória Junior onde queriam dar o golpe no presidente Lula. Não estou aqui para me aliar a este movimento que tanto critiquei.

Não estou feliz em escrever esse texto. Sinto uma coisa dentro de mim ao escrever isso. Estou cansado porque em 12 horas o Governo Federal cedeu duas vezes a duas chantagens. Primeiro foi à votação do Código Florestal e depois as cartilhas anti-homofobia do MEC. O Código Florestal foi aprovado e as cartilhas retiradas graças às chantagens de deputados do próprio governo que ameaçam convocar o ministro Antonio Palocci para depor nas comissões caso as reivindicações não fossem aceitas.

O governo abriu as pernas para dois pontos importantíssimos para o Brasil que queremos. Para o Brasil que lutamos para melhorar. Eu sei que o PMDB (autor da emenda no Código Florestal polêmica) e a bancada evangélica (que pediu a retirada das cartilhas) eles participaram sim da eleição de Dilma. O PMDB como vice e parte da bancada evangélica votou sim na Dilma, apesar do terrorismo feito por alguns pastores. Por terem feito parte da construção deste governo, e por serem brasileiros, eles devem ser ouvidos, mas gostaria de voltar um pouco no tempo e explicar porque estou cansado após essa atitude.

Em 2006 fui às urnas pela primeira vez. Tenho certeza absoluta de que votei certo. Além de certeza, tenho orgulho de dizer que meu primeiro voto foi para a reeleição de Lula, mas venho lendo e debatendo política bem antes disso. Em 2002, vi muitos petistas desiludidos porque Lula se apoiou ao então PL junto com José de Alencar. Eu apoiei porque tinha que apoiar. Em 2005, vimos as acusações sobre o mensalão. Eu apoiei porque achei que tinha que apoiar. Em 2006 votei porque tinha que votar. No segundo mandato passamos por altos e baixos e eu apoiei. Em 2010 votei e tenho certeza absoluta que votei na melhor pessoa que se apresentava ali e mais certeza ainda que votei no melhor projeto que me foi apresentado.

O projeto. Foi justamente por esse projeto que apoiei quando tinha que apoiar e votei quando tinha que votar, mas após essas concessões às chantagens vejo até que ponto tenho que apoiar esse projeto. Que projeto é esse?

Ceder pontos importantes para o meio ambiente e direitos humanos para livrar a cara de Antonio Palocci Que projeto é esse? Palocci que deixe o governo imediatamente ou vá se explicar na Câmara o que não pode é o governo ceder desse jeito em pontos fundamentais para o futuro do país.

Que projeto é esse? Começamos com uma ministra da cultura que muda o projeto iniciado no governo anterior. Agora vem com mais essas e estamos com cinco meses de mandato.

Que projeto é esse?

De que valeu aquela luta na época do mensalão?

De que valeu eu ter que ouvir que quem votava no PT era vagabundo?

De que valeu durante a campanha ter que ir pras ruas e pra internet porque uma onda de mentiras foi jogada contra Dilma?

De que valeu tudo isso se o projeto vai ser mudado a cada ameaça que os deputados fizerem?

De que valeu discutir com eleitores do outro candidato se na hora do vamo vê meu deputado vai votar junto com Ronaldo Caiado?

Sei que não deveria estar colocando isso à público e dando “armas” para a oposição. Eu ainda acredito na Dilma. Eu ainda acredito no projeto. Por favor Dilma não me faça desacreditar em você e, principalmente, desacreditar no projeto. Projeto esse que vi meu pai, meu tio e tantos outros companheiros construindo e que posso dizer que fiz parte.

Eu só estou um pouco cansado, mas cansaço é pros fracos e eu não sou fraco.

p.s.: a única coisa que eu realmente cansei foi essa histórinha de "eu faço o que os outros sempre fizeram". Cara pálida, eu te coloquei ai justamente porque os outros sempre fizeram isso.